Portugal e o projecto europeu de Sociedade em Rede
Quando olhamos para os objectivos da Estratégia de Lisboa, projecto esse que nós portugueses começámos aquando da presidência da União Europeia no ano 2000, pensamos... "isto não é possível, está tudo louco!", ou ainda "isso são coisas para paises muito desenvolvidos, Portugal não tem de reflectir neste assunto... com tantas preocupações, não nos podemos dar ao luxo de pensar em mais uma.". O facto é que estamos errados... não, não está tudo doido, o mundo caminha a passos largos para uma sociedade cada vez mais digital e em rede e Portugal não pode deixar fugir o comboio do futuro, do crescimento e do desenvolvimento. A interrogação que se coloca é se facto esta cruzada europeia terá ou não sucesso daqui para a frente? Conjugar toda esta questão do desenvolvimento sustentável, ou seja, criação de emprego, estabilidade e justiça social com competitividade não é fácil, exige tempo, mas é o único caminho e Portugal, tal como os seus parceiros europeus, tem de o percorrer."Que papel então para o pequeno país à beira mar plantado?" A resposta é simples, exactamente a mesma função que os restantes aliados do velho continente. Teria de ter responsabilidades acrescidas só por ter lançado a ideia do projecto da Europa e a sociedade da informação, ou ter o nome da sua capital inscrito no desta estratégia??? Não me parece! Poderá ter é uma posição estratégica e privilegiada na questão da inserção e competitividade da economia europeia em mercados como o Brasil e paises Africanos de Língua Portuguesa, precisamente por causa do idioma, mas internamente, tem de trabalhar tanto como os restantes. O que quero dizer com isto? Que o país tem de apostar totalmente no modelo europeu de desenvolvimento, afastando alguns dos problemas da sociedade e os preconceitos que existem na mente dos portugueses (arrumando a casa internamente, se constrói a sociedade global de informação e consequentemente o sonho europeu). Neste contexto vejamos algumas dos pontos em que o país tem de apostar:
-"Reforçar a sociedade em rede e quebrar as barreiras existentes com o exterior." De alguma forma é dissipar as dificuldades de ligação entre os próprios portugueses e dos mesmos com o exterior. Portugal é um dos paises com uma taxa de utilização da Internet mais baixas da Europa, mas é o terceiro país da União a agrupar todas as escolas públicas em rede através da banda larga... o que já é um grande passo, mas não chega. Utilizar a Internet é colocar as pessoas mais próximas, é gerar mais comunicação, é romper fronteiras, em conclusão, é criar uma rede de troca de informação e conhecimento mais rápida e eficaz;
-"Inovar e reduzir a burocracia." Como sabemos, até por várias experiências que já todos tivemos de certeza em qualquer instituto público, Portugal está atulhado em papelada e burocracia. Porque não inovar através das novas tecnologias? Se inventámos uma pequena caixa para pôr no carro e não termos de esperar nas filas de pagamento para as portagens, porque não ir mais longe? Já para não falar do incómodo de estar sempre a pagar com dinheiro, que nem sempre temos trocado nas nossas carteiras. Reduzir o que é complexo e chato é uma das funções da sociedade em rede... gerar facilidade e comodidade, para além de evitar grandes tempos de espera e muita burocracia;
-"Ligar-nos ao mundo, unir os pólos de conhecimento e gerar mais trabalho." No fundo é fazer com que mesmo que eu esteja longe... esteja perto, "do you know what i mean?": Unir-nos mesmo que existam milhares de Km que nos separem; Agrupar escolas, bibliotecas, universidades, politécnicos, institutos de investigação, hospitais, empresas, etc... numa rede de trabalho em grupo e global. Desta forma geramos implicitamente mais trabalho, o desemprego desce e assim existe mais poder de compra, mais justiça social e menos exlusão.
Como podemos ver Portugal e os seus parceiros têm um papel bastante complicado e que vai durar muitos anos a concretizar, mas se queremos que o sonho europeu se realize e sejamos um continente próspero, justo, que sabe receber e gerar desenvolvimento e um bom nível de vida aos seus habitantes, temos de apostar nesta sociedade em rede, que mais do que ser um assunto para paises desenvolvidos, diz respeito a todos... porque o futuro passa por aqui.

1 Comments:
Achei particularmente interessante a referência à ligação com o Brasil e os PALOPs. Numa sociedade em rede, Portugal pode funcionar como um elo de ligação entre redes distintas: Europa, África, América Latina.
segunda mai. 08, 01:12:00 a.m.
Enviar um comentário
<< Home